BRAZIL!

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HOJE E DE GRACA

By MARIAN PEIXOTO

Estado de Minas, Domingo, 12 de Agosto de 2007

 

 

Judy Carmichael at Jazz Ascona

Programação do Jazz Festival será encerrada esta manhã com apresentação da pianista Judy Carmichael e do grupo Swing Times ao lado dos sapateadores da dupla Tap Dancers.

 

Com particpação em três das cinco edições do Jazz Festival, a pianista norte-americana Judy Carmichael busca sempre fazer diferente. Na primeira vex que participou do evento, ela se apresentou com um saxofonista; na edição seguinte, com um guitarrista e um trompetista. Agora, está no Brasil com o grupo Swing Time (Ed Ornowski na bateria e percussão; Jon-Erik Kellso no trompete; e Michael Hashim no saxofone) e com os sapateadores Melissa Giattino e Richard Schwartz, da dupla The Tap Dancers. Depois do show de anteontem no Grande Teatro, eles encerram, na manhã de hoje, na varanda do Palácio das Artes, a edição 2007 do evento em BH. O festival prossegue em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Aracaju, Belém e Tirandentes.

 

No início d apresentação, somente os músicos estarão em cena. Depois é que os dançarinos vão entrar. Para a performance conjunta foram escolhidas as músicas I'm gonna sit right down and write myself a letter (Fred E. Ahlert e Joe Young) e I found a new baby (Jack Palmer e Spencer Williams). “São temas compartíveis para a dupla dançar", comenta Judy Carmichael. Os músicos do Swing Time criaram novos arranjos para a apresentação. É a primeira vez que o grupo e os dançarinos fazem turnê juntos. Entusiasmada, a pianista espera que a parceria tenha continuidade. "Como todos viajamos bastante, não houve muito tempo para ensaio. Mas a verdade é que é melhor deixarmos um pouco para o improviso."

 

Crias da Broadway, Melissa Giattino e Richard Schwartz começaram a atuar juntos há uma década. Depois do teatro, a dupla se dedica ao cinema. Judy Carmichael, a despeito das particpações mais recentes no Jazz Festival, tem larga experiência no país. Em meados dos anos 1980, a pianista, especializada no stride (estilo de tocar criado no Harlem na década de 1920), veio pela primeira vez ao Brasil. Em Nova York, onde a californiana se radicou, conheceu o escritor Fernando Sabino, que a convidou para tocar no país. Com dois programas semanais no rádio e um na televisão, ela tem pouco tempo para se dedicar às gravações. Sei álbum mais recente, High on fats and other stuff, e de 1997. "Mas o próximo disco não pasa do ano que vem", revela Carmichael.

 

 

PARA RELEMBRAR OS VELHOS TEMPOS

By LUIZ ORLANDO CARNEIRO

Brasilia

 

 

Judy Carmichael at Jazz Ascona

Evento percorre, em agosto, oito cidades brasileiras com músicos que se dedicam de forma mais purista ao ritmo

 

Há 60 anos, quando o bebop surgiu, músicos e fãs do estilo então revolucionário passaram a usar a expressão moldy figs (figos murchos, literalmente) para mexar com os renitentes defensores da "pureza" do jazz tradicional, tal como practicado desde que nasceu em Nova Orleans ("King" Oliver), desenvolveu-se em Chicago e Nova York (Louis Armstrong, Duke Ellington, Bix Beidebecke), até – no máximo – a explosão das big bands do estilo swing nas décadas de 30 e 40 (Fletcher Henderson, Count Basie, Benny Goodman).

 

O jazz tradicional ainda e cultuado por saudosistas é turistas, náo só em Nova Orleans – no Preservation Hall ou a bordo do velho barco a vapor Natchez – mas também em festivais pelo mundo afora, por etiquetas especializadas (Arbors, Hep) e gravadoras mais conhecidas (Telarc, Concord). Há músicos conservadores notáveis que ainda fazem ou fizeram sucesso até bem pouco tempo, como os pianistas Dick Hyman (81 anos) e Ralph Sutton (1922-2001); os trompetistas-cornetistas Warren Vaché (56 anos) e Rubby Braff (1923-2003); os saxofonistas Scott Hamilton e Harry Allen (52 e 40 anos, respectivamente).

 

Os moldy figs, jovens curiosos e até ouvintes exigentes terão a oportunidade de relembrar ou descobrir os "velhos tempos", neste mês de agosto, assistindo o um festival de jazz itinerante, produzido pela Soltz Eventos, com apoio do governo de Minas, empresas e outras instituições daquele estado. O festival passa por Brasilia, Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Belém, Aracaju, Rio de Janeiro e Tirandentes (veja tabela).

 

No programa, a ghost band de Duke Ellington, ressuscitada mais uma vez por Paul Ellington, neto do Duke e filho do trompetista Mercer – que assumiu a direção da banda a partir da morte do genial pai, em 1974, e usou o nome e o "livro" da organização até a sua morte, em 1996; a extrovertida pianista Judy Carmichael, especialista no stride do velho Harlem, pela terceira vez no Brasil, agora em companhia do trompetista Jon-Erik Kellso (gravou com "gente grande" como Ken Peplowski e Kenny Davern), do ótimo saxofonista Mike Hashim e de uma dupla de sapateadores (tap dancers); a corrreta Porteña Jazz Band, da Argentina, um tenteto com dois trompetes, três palhetas, trombone, tuba, piano, guitarra/banjo e bateria/"washboard"; o conjunto (com músicos brasileiros) do trombonista australiano Dan Barnett; e o sexteto do trompetista francês Irakli de Davrichewy, 66 anos, filho de georgianos, tarado por Louis Armstrong, e que revive com o seu grupo (Louis Ambassadors) os All Stars de Satchmo de 1946-50 (Jack Teagarden, Barney Bigard, Sid Catlett, Arvell Shaw, Dick Cary ou Earl Hines, lembram-se?).

 

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